A miúda depois da mãe

Há quem prefira a mulher, mas gosto de pensar que continuo a miúda de 27 anos com as mesmas vontades que tinha antes de embarcar nesta aventura para a vida. A vontade por ser bonita, a vontade por estar bem fisicamente, mas essencialmente a vontade de sentir que quando a imagem cruza o espelho ela reflecte isso mesmo no real.

Sou uma miúda de sorte ou tentei fazê-la. Em pleno estado de graça engordei 9kg, todos acumulados na bola de futebol que hoje dá tudo em campo.  Tirando o susto inicial do descolamento de placenta diria que foram 9 meses quase perfeitos. Quase porque não me lambuzei de Häagen dazs dia sim, dia sim e as torradas de Nutella eram assim quando o rei fazia anos. Não fosse isso e tinha toda uma história com mais 20kg para contar. Nem tudo são facilidades, as perninhas batiam passadeira 45 min diários, e o trabalho sempre agitado durou até às 37 semanas( a cria nasceu às 38). E isto ajudou muito, diria que é o principal. Devemos manter o nosso ritimo diário, desde que o obstetra nada contra indique, e cuidarmos de nós.

E aí começa o desafio, de repente temos um recém nascido nas mãos e este último cuidar é alocado apenas a ele. Valham-nos os pais, (que dormia sentado no sofá com ele enroscado e de cabeça aconchegada no ombro), as avós e todos os amigos santos que dão uma mãozinha. Os primeiros dias são duros, o organismo ressente-se e acho que estamos mais mortas vivas do que os Zombeis do Resident Evil. É a adaptação a tudo o que vem pela frente, mas é também o aprender que senão nos sentirmos bem vamos ser menos capazes. O meu exemplo é crítico, a cria chorava hora sim, hora sim, e só dormia alapado a mim durante o dia. Era toda uma emoção, lavar cara e dentes com ele no marsúpio e ainda a reclamar os salpicos que lhe chegavam. Estando meio adormecido aproveitava para esticar o cabelo com a placa e já me sentia uma estrela de telenovela, daquelas que não andam o dia todo com a mola no alto da cabeça. Nada contra minhas mães, sei que continuo uma cheia de sorte, sei que há quem não tenha ajuda nenhuma,mas também sei que é preciso uma força de vontade extra para não descorarmos de nós. E essa nunca nunca a perdi,podiam ser 2h de sono mas raramente ficava em casa o dia todo de pijama. Há mínimos e o reflexo do nosso bem estar está diretamente exposto em todos os que nos rodeiam mas em especial naquela coisinha pequenina mas muito rabugenta. Quem inventou as cólicas devia ficar de caganeira o resto da vida! Sofri com elas, o Cookie chorava 6 h seguidas e não havia Infacol ou qualquer semelhança farmacêutica que o convencesse do contrário.

Posto isto, e 4 anos depois posso afirmar que o melhor desta montanha da russa da auto-estima é ter a certeza que continuo a miúda depois da mãe.

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