Dia Nacional da Prevenção do Cancro da Mama

EA1DE53A-CD48-4CE3-B04F-CF2650D1B287Não gosto do mês de Outubro por vários motivos.
É aquele que leva embora o Verão e anuncia o Inverno( este ano atípico).
É o que larga as cores vivas e apetecíveis e introduz as sem graça.
É o que traz a sensação do copo meio cheio.
E o que me reaviva a memória de lembranças que não quero ter.
Faz 3 anos este mês que soube que a minha mãe tinha cancro da mama.
Oi como assim? Mas essa merda acontece aos nossos?
O meu pai ligou-me a chorar e em poucas letras soletrou o não esperado positivo. Perdi o chão.
De repente vi-me com seis anos, de pernas cruzadas a questionar-me e agora quem cuida de mim? Afinal as mães cuidam sempre.
Senti-me egoísta, demorei a reagir, a ganhar força para ser mais forte que ela e enfrenta-la com um vai correr tudo bem.
Não se aprende a lidar com a violência que a doença traz de um dia para o outro.
Conheci-lhe uma força que não tenho, rapou o cabelo à minha frente sem deitar uma lágrima, ah mulher coragem.
Passaram-se quase 12 meses distribuídos por uma operação, vários tratamentos de quimio e radioterapia, 12 meses de angústia e fuga emocional.
Admiro-a. Tenho a certeza que foi a força dela que nos deu passado este tempo o que quisemos ouvir desde o início: VENCEU.
O histórico familiar, dita-me acompanhamento médico regrado.
Penso muitas vezes nas variáveis que posso controlar para nunca viver a experiência na 1a pessoa.
Tenho uma alimentação q.b saudável, uma relação duradoura com o exercício e cumpri a 75% a questão da amamentação. Existem estudos que definem a amamentação como preventiva no desenvolvimento de tumores da mama.
Talvez das poucas coisas que me arrependo. Na altura do regresso ao trabalho não quis passar pela logística da coisa e aos 4 meses fechei a torneira.
Ficou esta foto, que eterniza a ligação mais especial que tenho com o que de melhor a vida me deu.

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