O Pós Parto Num Espelho

Partilho convosco hoje, aquilo que gostava que tivessem partilhado comigo há 4 anos atrás.

A nossa vida muda e transforma-se sem retorno desde o dia que somos presenteadas pelo POSITIVO. Pode ainda não mexer, pode assemelhar-se a uma ervilha, mas a nossa cabeça e o nosso corpo não se voltam a comportar da mesma maneira. Antigamente, defendia-se que gravidez era comer por dois, que a mãe tinha que engordar 30kg ou a criança ia nascer minúscula. Hoje em dia, o estereótipo de grávida ideal defende-se no aumento de 1kg por mês, e com alimentação controlada .

Sou apologista do equilíbrio como em tudo na vida. É fácil incentivarmos os outros pela negativa sem nos apercebermos das consequências: “come, é só mais um bolo, estás grávida, tens desculpa”. Tive sorte e cabeça, até aos 4 meses tinha pouca vontade de doces e até aos 6 fiz um esforço para não comer tudo o que me apetecia.

Refugiamo-nos por vezes atrás de um estado que em poucos meses vai desaparecer, mas que pode deixar marcas durante anos. É certo que depende da idade, força de vontade e motivação no pós parto, mas acreditem que a auto-estima se alimenta do momento. Quando saímos da maternidade deixamos de ser nós a prioridade. A falta de tempo é inequívoca, e a necessidade é muitas vezes vencida pelo cansaço. Engordei 9kg do Martim, 5 deles nos últimos 3 meses. Fiz exercício físico condicionado até às 37 semanas. Uma das regras fundamentais para que corra dentro da nossa expectativa é mantermos os nossos hábitos regulares. Para mim o exercício é uma terapia, é aquilo que me distrai e contorna a ansiedade. Saí da maternidade quase sem barriga (única zona do corpo em que agradeço à genética), mas obviamente que o inchaço de um pós parto se distribui-o pelo resto do corpo. Existem factores reais sobre os quais não temos controle, e infelizmente o hormonal pode em muitos casos “destruir” todo o nosso bom comportamento durante a gravidez. Aqui apelamos ao factor sorte, e sim fui uma sortuda com contributo pessoal à causa. Para além de mães somos mulheres e precisamos de continuar a cuidar de nós. O nosso bem estar reflecte-se em toda a energia que transmitimos ao nosso bebé. Se não nos sentirmos bem, se passarmos o dia de pijama, se nos olhamos ao espelho e virmos o reflexo de uma barriga quase maior do que na gravidez, não me lixem, isso não é confortável.

5F39BCB5-B696-4610-ADFE-69C4AB4B5CB4

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *